Alternativa
UFPel seleciona nova moradia a estudantes
Imóvel atenderá exclusivamente indígenas e quilombolas que estudam na instituição
Carlos Queiroz -
Há cinco anos, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) passou a alugar um imóvel destinado à moradia de estudantes quilombolas e indígenas. Agora, o momento é de ampliação dessa política de ações afirmativas: um edital de chamamento público dos donos de imóveis interessados foi aberto e duas propostas foram enviadas e estão em análise. Atualmente, uma casa do mesmo gênero abriga 17 estudantes e, com o novo endereço, cerca de 20 vagas serão abertas.
Atualmente, UFPel aluga uma casa na rua Lobo da Costa, 343, onde moram 15 estudantes quilombolas e dois indígenas. Estão matriculados na universidade aproximadamente 75 acadêmicos de comunidades indígenas e quilombolas, que ingressaram no ensino superior através de um processo seletivo adaptado para os tipos de conhecimento destas populações. Como explica o chefe da Coordenação de Inclusão e Diversidade da Universidade, Alexandre Marques, a ideia é tornar realidade uma discussão há muito trabalhada.
No último ano, a Coordenação realizou levantamento do que se encaixa com o perfil de moradia procurado. Entre as especificações, além do número de quartos suficiente para a ampliação das vagas, está a localização. É importante que o novo endereço seja próximo da zona que mais possui prédios da Universidade - Centro/Porto -, das paradas do ônibus de apoio e do Restaurante Universitário. “A ideia é minimizar as distâncias e facilitar a moradia dos alunos, promovendo um espaço para melhorar a qualidade de vida”, salienta Marques.
Por conta de mudanças nas normas do Ministério da Educação e do contingenciamento de verbas, a Universidade não pode alugar novos prédios. Em outubro, o contrato com o atual imóvel acaba e, assim, o novo poderá ser alugado.
Por mês, o endereço na Lobo da Costa custa cerca de R$ 8 mil e a nova casa não pode ultrapassar o valor de R$ 10 mil.
Também em 2019 o número de vagas para os alunos quilombolas e indígenas dobrou de cinco para dez oportunidades a cada um dos grupos. No entanto, a assistência após o ingresso destes estudantes também é de suma importância, frisa o coordenador. “Não adianta dar apenas uma porta de acesso. Precisamos contemplar a permanência desses estudantes”.
Perfil dos quilombolas e indígenas
Há alguns meses o Núcleo de Ações Afirmativas e Diversidade da UFPel (Nuaad) realizou um breve mapeamento da situação dos estudantes quilombolas e indígenas. Dentro da UFPel, a maior predominância desses estudantes são nos cursos de Agronomia, Licenciatura em Educação Física, Medicina, Odontologia, Nutrição e Enfermagem. “Muitos dos alunos são oriundos de comunidades agrícolas e a Universidade não determina quais cursos terão vagas disponíveis. Todos os anos, nos reunimos com os líderes comunitários e representantes e analisamos a demanda, no fim eles que escolhem”, afirma Alexandre Marques.
A maioria dos estudantes é oriundo de comunidades e aldeias em cidades da Zona Sul, como Canguçu, Piratini, Pelotas e Mostardas, no litoral gaúcho. Uma parcela pertence a outras regiões, a exemplo dos Estados de Minas Gerais, Goiás, Maranhão, Paraíba e Pernambuco.
Propostas em análise
Após a publicação do edital, duas propostas foram enviadas à UFPel para garantir a nova moradia estudantil. A Pró-reitoria Administrativa (PRA) instaurou uma comissão para analisar de forma quali-quantitativa ambos os envios - critérios como valores, qualidade dos imóveis e disponibilidade de área serão avaliados.
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